Eucaristia: Papa Bento XVI

18-12-2016 22:48

 

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, na Itália e em outros Países, celebra-se o Corpus Domini, a festa da Eucaristia, o Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, que Ele instituiu na Última Ceia e que constitui o tesouro mais precioso da Igreja.

A Eucaristia é como o coração pulsante que dá vida a todo o corpo místico da Igreja: um organismo social completamente baseado sobre o laço espiritual, mas concreto, com Cristo. Como afirma o Apóstolo Paulo: “Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” (1Cor 10,17).

Sem a Eucaristia, a Igreja simplesmente não existiria. É a Eucaristia, de fato, que faz de uma comunidade humana um mistério de comunhão, capaz de levar Deus ao mundo e o mundo a Deus. O Espírito Santo, que transforma o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, transforma também quantos o recebem com fé em membros do corpo de Cristo, tanto que a Igreja é realmente sacramento de unidade dos homens com Deus e deles entre si.

Em uma cultura sempre mais individualista, como aquela em que estamos inseridos nas sociedades ocidentais, e que tende a difundir-se em todo o mundo, a Eucaristia constitui-se como uma espécie de “antídoto”, que age nas mentes e nos corações dos fiéis e continuamente semeia nesses a lógica da comunhão, do serviço, da partilha, em suma, a lógica do Evangelho. Os primeiros cristãos, em Jerusalém, eram um sinal evidente desse novo estilo de vida, porque viviam em fraternidade e colocavam em comum os seus bens, a fim de que nenhum fosse indigente (cf. At 2,42-47).

De que deriva tudo isso? Da Eucaristia, isto é, de Cristo ressuscitado, realmente presente em meio aos seus discípulos e operante com a força do Espírito Santo. E também nas gerações seguintes, através dos séculos, a Igreja, apesar dos limites e erros humanos, continuou a ser no mundo uma força de comunhão. Pensemos especialmente nos períodos mais difíceis, de prova: o que significou, por exemplo, para os Países submetidos a regimes totalitários, a possibilidade de reencontrar-se na Missa Dominical! Como diziam os antigos mártires de Abitene: “Sine Dominico non possumus” – sem o “Dominicum“, isto é, sem a Eucaristia dominical não podemos viver. Mas o vazio produzido pela falsa liberdade pode ser muito perigoso, e então a comunhão com o Corpo de Cristo é remédio para a inteligência e a vontade, para reencontrar o gosto pela verdade e pelo bem comum.

Queridos amigos, invoquemos a Virgem Maria, que o meu Predecessor, o Beato João Paulo II, definiu “Mulher eucarística” (Ecclesia de Eucharistia, 53-58). Na sua escola, também a nossa vida torne-se plenamente “eucarística”, aberta a Deus e aos outros, capaz de transformar o mal em bem com a força do amor, esforçada em favorecer a unidade, a comunhão, a fraternidade.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.